FATORES PRECIPITANTES DE CRISES EPILÉPTICAS

 

FATORES PRECIPITANTES DE CRISES EPILÉPTICAS

PRECIPITATING FACTORS OF EPILEPTIC SEIZURES

Paulo César Trevisol-Bittencourt
Alan Luiz Eckeli
Fabíola Dach
Felipe Eduardo Broering
Carlos Fernando Collares

    • Introduction 
        • Rationale 
        • Methods 

Patients suffering from epilepsies usually complain about precipitating factors of seizures. Actually, some of these events are the partial component of their epilepsies. Clinically, it is not always easy to tell one from another, especially if we consider that psychic partial seizures seem to be more frequent then it was supposed before. In fact, not rarely these symptoms are the unique presentation of the epilepsy shown by a particular patient.

By the other hand, it must be recognized that many times the precipitating factors according to the patients are truly the trigger of the epileptic fits. They can be found in susceptible individuals presenting seizures only after exposure to an specific epileptogenic factor. Most of times it can be noticed in patients presenting reflex epilepsies.

Besides, many other precipitating factors cannot be related to epilepsy and some of them are quite curious. These phenomena probably obey social and ethnic-cultural values. Therefore, they must change considerably according to the area of the country in which they are investigated.

This study observed which are the most common precipitating factors related by the patients and relatives attending a multidisciplinary epilepsy clinic, connecting them with seizure types and epileptic syndromes.

The Multidisciplinary Epilepsy Clinic (MEC) is the only specialized out-patient clinic attending patients with epilepsy in our state, linked to the brazilian public health service (SUS). There is a computerized attending protocol for the patients in the MEC and a data base has been created. Until now, 405 patients were randomly registered. In the present study we have accomplished an observational, descriptive, transversal study, and it has been analyzed the following variables: seizure precipitating factors occurrence, epilepsy classification and kind of precipitating factor.

    • Introdução 
        • Objetivo 

Muito freqüentemente pacientes com epilepsias referem subjetivamente fatores precipitantes de crises. Alguns deles são na verdade o componente parcial de suas epilepsias. Uma distinção entre ambos nem sempre é fácil do ponto de vista clínico, principalmente quando se toma em consideração que ataques parciais com elementos psíquicos parecem ser bem mais freqüentes do que se imaginava outrora. Sintomas desta natureza não raramente são o principal constituinte da epilepsia de um indivíduo em particular.

Por outro lado, devemos reconhecer que muitas vezes os fatores precipitantes de acordo com os relatos dos pacientes são na verdade o desencadeador das crises. Exemplo dessa situação são aqueles indivíduos suscetíveis que somente apresentam crises quando expostos a um fator epileptogênico específico. Isto pode ser evidenciado claramente em pacientes com epilepsias reflexas

Além disso, vários outros fatores precipitantes não podem ser associados a epilepsia e alguns deles são realmente curiosos. A freqüência com que tais fenômenos ocorrem muito provavelmente obedece a valores sociais e étnico-culturais. Logo, eles devem sofrer considerável variação dependendo da área do país onde forem pesquisados.

Neste estudo observamos quais os fatores precipitantes mais comumente relatados por pacientes com epilepsias e seus familiares em seguimento ambulatorial numa clínica multidisciplinar de epilepsia. Procurou-se quantificá-los, descrevê-los e relacioná-los com o tipo de epilepsia apresentada.

    • Métodos 

A Clínica Multidisciplinar de Epilepsia da Policlínica Regional de Florianópolis/SC (CME) é a única especializada no atendimento a pacientes com epilepsia em nosso Estado vinculada ao SUS. Existe um protocolo de atendimento aos pacientes da CME que recentemente foi informatizado, e um banco de dados está sendo criado. Até o momento, aleatoriamente, foram cadastrados 405 pacientes. No presente trabalho realizamos um estudo observacional, descritivo, de corte transversal, sendo analisadas as seguintes variáveis: presença ou não de fatores precipitantes de crises, classificação da epilepsia e tipo de fator precipitante.

      • Results 
        • Conclusions 

In the 405 analyzed cases, 73 (18%) reported to have a kind of seizure precipitating factor. Among them, 42 patients had symptomatic epilepsy (57,5%), 20 had idiopathic epilepsy (27,3%) and 11 had cryptogenic epilepsy (15%). It was found out as seizure precipitating factors: anxiety, menstruation, alcohol, headache, full moon, feeling of extreme happiness and contraceptive drugs.

All the seizure precipitating factors are related by the patients own words, and should be interpreted with caution, but must not be underestimated or be a motive to jocosity by the health personnel. Undoubtedly, while some of them belong to epileptic syndrome as their simple partial component, others are well known precipitating factors in susceptible individuals. Consequently, essential information for a better clinical approach to the epileptic patient can be obtained by asking this simple question. Besides, the psychic component of partial seizures, largely neglected by most investigators, could become evident.

Finally, we call attention to the fact that some factors mentioned above, considered to be bizarre and apparently not connected to epilepsy nowadays, may be interpreted differently in the future, since the mechanisms of epileptogenesis and its clinical expression have not been elucidated yet.

      • Resultados 
        • Conclusões 

Dentre os 405 casos analisados, 73 (18%) relataram apresentar algum tipo de fator precipitante de crise. Destes, 42 tinham epilepsia sintomática (57,5%), 20 com epilepsia idiopática (27,3%) e 11 tinham epilepsia criptogênica (15%). Dentre os fatores precipitantes quantificados, destacamos: ansiedade, menstruação, uso de álcool, cefaléia, mudança de lua, sentimento de felicidade extrema e uso de anticoncepcional oral.

Todos os fatores precipitantes aqui enumerados constituem relatos de pacientes, devendo ser interpretados com cautela, sem no entanto serem objeto de desatenção ou comentários jocosos por parte da equipe de saúde. Alguns deles demonstram inequivocamente pertencerem à síndrome epiléptica, isto é, são o seu componente parcial simples. Outros, são conhecidos desencadeantes de crises em pessoas particularmente suscetíveis. Assim, informações essenciais para um melhor raciocínio clínico das epilepsias poderão ser obtidas através desta simples questão. Além disso, o componente psíquico das epilepsias parciais, largamente negligenciado pela maior parte dos investigadores, poderia tornar-se evidente.

Finalizando, observamos que uma parcela dos fatores acima mencionados, considerados bizarros e aparentemente não conectados com epilepsia nos dias atuais, poderão sofrer interpretação distinta no futuro, já que os mecanismos de epileptogênese e sua expressão clínica ainda não foram completamente elucidados.

Referências bibliográficas

1. Spatt J; Langbauer G; Mamoli B. Subjective perception of seizure precipitants: results of a questionnaire study. Seizure, Oct, 7:5, 391-5, 1998.

2. Alldredge BK; Lowenstein DH. Status epilepticus related to alcohol abuse. Epilepsia, Nov, 34:6, 1033-7, 1993.

3. Cirignotta F; Marcacci G; Lugaresi E. Epileptic seizures precipitated by eating. Epilepsia, 18:4, 445-9, Dec 1977.

4. Wieser HG; Hungerbühler H; Siegel AM; Buck A. Musicogenic epilepsy: review of the literature and case report with ictal single photon emission computed tomography. Epilepsia 38:2, 200-7, Feb 1997.

Endereço para correspondência:

Dr.Paulo César Trevisol Bittencourt
Neurologia/Departamento de Clínica Médica/UFSC
88040-970 – Florianópolis/Santa Catarina/Brasil
pcb@neurologia.ufsc.br
www.neurologia.ufsc.br