Nervos cranianos: anatomia e exame clínico

Nervos cranianos: anatomia e exame clínico

Carlos Fernando Collares*
Paulo Cesar Trevisol-Bittencourt**

 

nome do nervo

função

emergência craniana

inervação

sintomas de alteração

causas de alteração

exame

I OLFATÓRIO

sensitiva

lâmina crivosa do etmóide

olfação

anosmia

parosmia

rinite alérgica (a mais comum) ; TCE ; epilepsia (sintoma recorrente); neoplasias da base frontal (meningeoma) ; transtorno psicogênico essências e aromas previamente conhecidos pelo paciente, tais como café, canela, cravo, etc.
II ÓPTICO

sensitiva

canal óptico

visão

redução / perda da acuidade visual

transtornos visuais diversos

neurite óptica (isquêmica – diabetes?, infecciosa – Lues?, doença de Lyme?, fungos?, desmielinizante – esclerose múltipla?); glaucoma; atrofia óptica hereditária (doença de Leber); ambliopia por álcool-tabaco pedir que identifique letras, símbolos, números de uma distância de aprox. 5 metros

testar acuidade de cada olho separadamente

testar o reflexo fotomotor

III OCULOMOTOR

motora

fissura orbital superior

motricidade do globo ocular

m. ciliar

m. esfíncter da íris

ptose palpebral

estrabismo divergente

midríase

vascular (diabetes, aneurisma das aa. cerebral posterior ou comunicante, hematoma extradural), neoplasia cerebral testar a motilidade ocular extrínseca

todos os mm. excetuando o oblíquo superior (IV) e o reto lateral (VI) são inervado por este par

testar o reflexo fotomotor

IV TROCLEAR

motora

fissura orbital superior

m. oblíquo superior do olho

incapacidade de fazer o globo ocular movimentar-se para dentro e para baixo  vascular

é rara sua apresentação, e mais rara ainda sua descoberta

testar o m. oblíquo superior pedindo para o indivíduo movimentar o olho para dentro e para baixo
V TRIGÊMEO (r. oftálmico)

sensitiva

fissura orbital superior

pele acima da comissura palpebral

perda da sensibilidade do globo ocular e da região anterior da face. neuralgia trigeminal (dor recorrente com exame normal – geralmente associada a compressão vascular e sintomas começando após os 50 anos). Quanto mais precoce seu início maior a probabilidade de ser sintoma inicial de esclerose múltipla.

neoplasias (neurinoma, meningeoma)

testar a sensibilidade da face e córnea
V TRIGÊMEO (r. maxilar)

sensitiva

forame redondo

pele entre a c. palpebral e a c. labial

ver acima  ver acima  ver acima
V TRIGÊMEO (r. mandibular)

mista

forame oval

pele abaixo da comissura labial

mm. da mastigação (masseteres, temporais e pterigoídeos)

ver acima

comprometimento dos mm. da mastigação (masseteres, temporais e pterigoídeos)

 ver acima  observar a contração dos masseteres e temporais

apalpá-los para observar seu trofismo e tônus

observar se há desvio da mandíbula quando o indivíduo abre a boca

VI ABDUCENTE

motora

fissura orbital superior

m. reto lateral do olho

estrabismo convergente (incapacidade para girar o globo ocular para fora) hipertensão intracraniana (a causa mais freqüente)  testar a motilidade extrínseca do globo ocular
VII FACIAL

mista

forame estilo-mastóideo

mm. da expressão facial (frontal, orbicular do olho e orbicular da boca)

glândulas salivares e lacrimais

gustação dos 2/3 anteriores da língua

perda da mímica facial (frontal, orbicular do olho e orbicular da boca)

caso a paralisia seja do tipo NMS somente o orbicular da boca tende a ser acometido; entretanto, se for tipo NMI todos os mm. serão afetados.

gustação poderá estar diminuída ou ausente.

vascular isquêmica é a causa mais comum da paralisia tipo NMS

paralisia facial de Bell (a frigore) é aparentemente a causa mais comum de paralisia tipo NMI; doença de Lyme deveria ser considerada quando a epidemiologia fosse positiva.

síndrome de Melkerson-Rosenthal (paralisia facial unilateral recorrente associada com língua escrotal – salpicada, entrecortada)

síndrome de Guillain-Barrè (com diplegia facial)

neurinoma

 manobras que forcem o indivíduo a utilizar os mm. da mímica facial, por exemplo: enrugar a fronte, fechar os olhos, mostrar os dentes

observar a presença de assimetria

a parte parassimpática (gustação) é de difícil avaliação e raramente indicada

VIII VESTÍBULO-COCLEAR

sensitiva

meato acústico interno

porção coclear: audição

porção vestibular: equilíbrio

perdas do equilíbrio

redução da acuidade auditiva

observa-se nistagmo, quando o componente vestibular é afetado

labirintopatia

neoplasias do ângulo ponto-cerebelar (neurinoma de acústico, por exemplo). Nesta situação, além de sinais cerebelares freqüentemente há acometimento do V e VII.

 teste de Romberg (pedir para a pessoa fechar os olhos, erguer os braços e mantê-los estendidos) mostra paciente pendendo para um lado.

pedir para a pessoa andar: há tendência para oscilar em direção ao lado com disfunção

testes de Rinne e Weber

IX GLOSSOFARÍNGEO

mista

forame jugular

mm. da faringe

gustação do 1/3 posterior da língua

dificuldade de mobilização da faringe/laringe

sua porção sensitiva é de difícil avaliação

neuralgia do glossofaríngeo é muito provavelmente a principal afecção relacionada a este par. embora freqüentemente suspeitada, sua disfunção raramente é diagnosticada
X VAGO

mista

forame jugular

sensibilidade e motricidade de vísceras

mm. da faringe

dificuldade de mobilização da faringe, laringe, incluindo palato mole e pregas vocais causas vasculares, neoplásicas e infecciosas (difteria).

traumatismo e acidentes cirúrgicos

 teste na náusea

ver mobilidade de cordas vocais

XI ACESSÓRIO

motora

forame jugular

ajuda o vago na motricidade de vísceras do pescoço e da cavidade torácica

mm. esternocleido-mastoídeo e trapézio

atrofia / paralisia dos mm. do ombro  neoplasia e trauma  testar a força dos mm. do ombro
XII HIPOGLOSSO

motora

canal do hipoglosso

mm. da língua

mobilidade deficiente e atrofia

fasciculações

 vascular, neoplasia e doença degenerativa do neurônio motor  pedir ao paciente mexer a língua em várias direções

 

*Acadêmico de Medicina / UFSC
** Professor da Disciplina de Neurologia / UFSC

Endereço para contato:
Centro de Estudos – Hospital Universitário
88040-970 – Florianópolis – SC
pcb@neurologia.ufsc.br