Massey Fergusson

Ensaios e Crônicas – Massey Fergusson

 

Asdrúbal era um funcionário público comum. Motorista da Fundação Nacional de Saúde, frequentemente viajava para o interior do Estado. Numa dessas foi parar em Dionísio Cerqueira, extremo oeste de Santa Catarina, justo na divisa com o Paraná e fronteira com a Argentina. Zona de agricultura desenvolvida e comércio crescente. Naquela sexta–feira, jantou e bebeu feito um abade. Comeu tanto que o intestino não aguentou…dotô dá licença, preciso ir fazê necessidade. Suas tripas não estavam treinadas para receber tanta proteína e o latido intestinal espoucava por todo o buteco-restaurante. O Dr. Nonohai rapidamente concluiu que seu motorista estava se esvaindo em bosta. Após meia hora, ligeiramente emagrecido, retornou à mesa farta e decidido comentou: dotô, agora de sobremesa preciso comer uma franga mal passada. Berenice, a garçonete, entendeu sua mensagem chula. A noite de verão convidava para uma trepada ao ar livre. Como abrigo moteleiro, o casal necessitado escolheu o primeiro trator estacionado no campo. Dois anos após, numa tarde de sábado, Asdrúbal estava tomando umas cana e comendo berbigão em Copacagana, a latrina-beach preferida dos moradores do Estreito, quando recebeu a visita aguardada com ansiedade: Berenice. Feliz pelo reencontro, não se deu conta que ela estava acompanhada de uma criança. Após amassos iniciais, finalmente fez-se a apresentação: Asdrubal, este é o Masseiferguçon, nosso filho.

Paul Melek
Setembro de 1999