O Vampiro do Oriente

Ensaios e Crônicas – O Vampiro do Oriente

A questão palestina é realmente um pesadelo para qualquer cidadão, não importando qual seja sua identificação étnico-social-cultural neste tenebroso zoo-ilógico humano. Entretanto, como sul-americano, tenho refletido sobre a conveniência de me manifestar sobre um antigo conflito de primos; porém, lhes confesso não suportar mais o cheiro de sangue proveniente daquelas bandas. Além do mais, o fedor da putrefação já está impregnando nossos charmosos bananais. Compreendo que todos nós já deveríamos ter desenvolvido uma espécie de tolerância aos desatinos tão peculiares a espécie humana. Aliás, bastaria uma brevíssima incursão na história para percebermos o que estes animais auto-rotulados de racionais são capazes de fazer. Mas, o que estamos presenciando nos últimos meses no oriente médio, é extremamente desalentador quanto ao futuro deste sofrido planeta. Questiono-me onde foi parar a desgraçada da memória, cuja simples evocação poderia por um freio na bestialidade escancarada nesta tragédia.Será que tá todo mundo com Alzheimer? Como dizem os ianques, OK; OK se ingleses ficam enfiando suas botas goela abaixo dos irlandeses; OK se russos permanecem triturando tchechenos; OK se texanos seguem terraplanando o Afeganistão com petardos estilo big-mac; OK se argentinos apreciam sado-masoquismo e continuam curtindo seu mórbido tango político; OK se tribos africanas na sua bizarra campanha de controle populacional persistem matando-se uns aos outros; OK se os hindus e paquistaneses ainda disputam a pau quem é o dono das rochas de Cachemira; OK se nós brasileiros continuamos tolerando eternamente os corruptos inocêncios e sarnentos perpetuadores da miséria nordestina; todavia, é absolutamente abominável ver o Estado de Israel aniquilando o povo palestino. Porque fazem isso é algo que talvez um bem qualificado psiquiatra tenha uma explicação razoável; contudo, porque não deveriam fazê-lo há inúmeros argumentos. Provavelmente, a lembrança do acontecido com o valoroso povo judeu durante a segunda grande guerra, por si só já seria motivo mais que suficiente para inibir qualquer ação genocida contra qualquer outro; todavia, os líderes israelenses da atualidade são extremamente hábeis na arte de sofismar. Ofendendo a inteligência mais rudimentar, insistem em apregoar que a matança é justificada pela defesa do Estado de Israel. Ao senhor Sharon e seguidores, gostaria de lhes recordar que argumento análogo foi usado por Adolf Hitler no seu livro Mein Kampf. As semelhanças não param aqui; além dos cães pastores, percebo curiosamente que seus soldados usam vestimentas muito similares as famosas fardas germânicas; copiaram até seus capacetes, embora poderiam adotar aqueles estilo tijela para sopa, tão a gosto dos britânicos. Afinal, para se defender de pedras inocentes lançadas por jovens palestinos, o apêndice que protege o pescoço seria perfeitamente dispensável, por mera questão de física elementar ensinada por alguns dos seus patrícios inteligentes. Para refrescar a memória dos adeptos da sharonóia recordo que durante anos, pedras, foram o único “armamento” usado pelos palestinos para manifestar indignação diante da ocupação da sua terra. Por outro lado, a ferocidade das suas tropas SS (Sicários do Sharon) é algo realmente hediondo; relembro que jamais vi ou li, soldados germânicos atacando deliberadamente escolas, templos, hospitais ou fuzilando crianças. Nestes aspectos este senhor definitivamente superou os seus adestradores. Por tudo isso, alimento uma dúvida cruel; sinceramente, não sei se lhe sugiro adotar o nome Adolf Sharon ou Ariel Hitler: a besta definitivamente reencarnou e numa versão muitíssimo mais agressiva e doentia que o personagem original. É tragicômico notar que a fábula bíblica está invertida neste episódio: o David contemporâneo é palestino e haverá de triunfar pela justiça da sua causa.

 

 

 

 

 

Dr. Paulo Cesar Trevisol Bittencourt- www.neurologia.ufsc.br / março de 2002.